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Eduardo (eduardoviana.multiply.com)

HomeUma frase ou duasAug 31, 2004
Não precisa ter pressa. O importante é chegar lá.

ReviewReviewReviewReviewFeb 4, '12 5:59 PM
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Category:Books
Genre: History
Author:Angela Lambert
A jornalista inglesa Angela Lambert foi buscar em sua ascendência germânica a motivação para uma extensa pesquisa sobre a amante de Adolf Hitler, Eva Braun. Filha de pais católicos que não simpatizavam francamente com o Nacional-Socialismo, Eva Anna Paula Braun era uma moça que gostava de esportes ao ar livre, fotografia e sapatos. Não se interessava por política. Quando tinha uns 16 anos e era balconista do estúdio fotográfico de Heinrich Hoffmann, ela conheceu aquele que viria a ser o chanceler do III Reich. Apaixonou-se e manteve-se fiel a Hiltler até o fim da vida, em 30 de abril de 1945.

O austríaco Adolf Hitler era um sujeito estranho. Descendente de uma linhagem de casamentos cossanguíneos, ele mesmo manteve um tórrido affaire com uma sobrinha, Geli Raubal, filha de sua irmã Angela, governanta por alguns anos em uma de suas residências. Antes de entrar para o partido nazista e se tornar o maior (e mais vil) líder da Alemanha, Hitler passou um tempo como um dândi, vivendo às expensas da herança paterna e, quando esta acabou, do dinheiro da mãe e da irmã.

Pintor frustrado, adorador de Richard Wagner e aprendiz de antissemita, Hitler entrou para o partido nazista e logo caiu nas graças do humilhado povo alemão, graças a seus discursos inflamados, que evocavam um ideal de superioridade teutônica. A crise econômica era grave. O novo líder carismático acabou se tornando chanceler e implantando um governo de dura repressão e perseguição a judeus, ciganos, homossexuais, deficientes e qualquer um que ele julgasse "impuro", fora do padrão ariano.

Mas o mesmo Hitler que defendia o ideal de um povo atlético era, na verdade, um preguiçoso crônico e um hipocondríaco incurável. O oposto de Eva Braun. Não se entende muito bem como uma moça atleticamente vigorosa, de poucas ambições e sem nenhum interesse político, pôde se apaixonar e se manter atada a este homem vinte e poucos anos mais velho e paranoico. Ainda mais quando este homem tão pouco fazia para merecer seu amor, mantendo-a afastada de todos, escondendo-a do povo alemão e dos líderes estrangeiros. Até o fim, Eva era desconhecida de muitos e desprezada por alguns.

Pouco antes do fim da II Guerra Mundial, Eva mudou-se para o bunker do Führer, em Berlim. Ali ficou, mantendo impressionante altivez, segundo dizem, enquanto a cidade ruía cercada pelas tropas aliadas, devastada pelo exército russo (os primeiros a chegarem a Berlim) e pelos aviões ingleses. Um ou dois dias antes de se matar com uma cápsula de cianureto ao lado de seu amante-algoz (que se matou com um tiro na boca), Eva conseguiu alcançar seu sonho: tornou-se Frau Hitler em uma cerimônia realizada às pressas no prédio da Chancelaria, que ficava acima do bunker onde estavam abrigados.

O livro de Angela Lambert narra, com extrema competência, o percurso desta personagem relegada a segundo plano da história. Bem documentada, a obra revela uma mulher que, apesar de ser companheira de um dos maiores monstros da humanidade, não parecia ter muita noção disso. E tampouco era uma mulher má, demonstrando afeto e consideração inclusive para com os serviçais de Hitler - cozinheiras, copeiras, motoristas, gente normalmente desprezada pelos poderosos.

Lamenta-se apenas que a Editora Globo tenha sido descuidada com as notas da autora na edição brasileira. As referências cruzadas estão, quase todas, erradas. De resto, é uma boa edição, com uma tradução, ao que me parece, competente.

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LAMBERT, Angela. A história perdida de Eva Braun. São Paulo: Globo, 2007. Tradução de Cássio de Arantes Leite. ISBN: 978-85-250-4328-3


ReviewReviewJun 5, '11 1:23 AM
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Category:Movies
Genre: Comedy
Domingos de Oliveira já fez muita coisa boa. Bastava o clássico "Todas as Mulheres do Mundo" (Brasil, 1967) para ele merecer o nosso respeito. Artista multimeios, o diretor sempre nos brindou com coisas bacanas no teatro, no cinema e na TV. Constantemente de forma bastante autoral, com bom humor e uma escrita esperta, com inspirações filosóficas. Um texto de Domingos é como uma gostosa conversa de bar: leve, descompromissado e, ao mesmo tempo, profundo.

Amor e sexo são temas recorrentes nas obras do autor. Muitas vezes ele parece dizer que só por amor se deve sofrer (e que não se deve deixar de sofrer); e que este mesmo amor nos salvará no final. Mas este amor envolve desejo, claro. Não é um amor etéreo, espiritual. Embora ele venha travestido em discursos filosóficos (ou pseudofilosóficos como um papo de botequim), é um amor carnal, pleno de Eros e Dionísio.

Com "Todo Mundo Tem Problemas Sexuais", que pré-estreou em 2008 mas só agora foi lançado em circuito, Domingos brinca sobre o tema em cinco esquetes inspirados em cartas anônimas enviadas para a coluna Vida Íntima, escrita pelo terapeuta Alberto Godin no jornal O Globo. Mais uma vez, leva para as telas algo que já testara no teatro, como fez com "Separações" (2002) e "Amores" (1998), por exemplo. Desta vez, propositadamente, levou a estrutura do teatro para o cinema, mesclando o filme com cenas captadas nos palcos. O resultado, do ponto de vista formal, pode ser interessante, mas é tecnicamente muito fraco. A qualidade das imagens e do som não é uniforme. O problema não é percebido apenas entre as cenas captadas em teatro e as filmadas em estúdio ou locação. A produção dos esquetes é desigual.

Hoje, que o cinema brasileiro já atingiu uma maturidade técnica, em que deixou para trás, sem saudades, as dublagens ruins e a fotografia pobre dos anos 1970, a precariedade de "Todo Mundo Tem Problemas Sexuais" incomoda. A parte isto, se não é nem de longe a obra mais interessante de Domingos de Oliveira, talvez seja sua comédia mais engraçada. Muito por mérito de Pedro Cardoso, quase sempre hilariante.

Aliás, a propósito do elenco, embora eu seja fã de carteirinha da Cláudia Abreu (que está ótima como a pintora grã-fina meio sadô-masô do quinto episódio), o destaque feminino fica por conta de Paloma Riani, que faz bela tabelinha com Pedro Cardoso nos papéis de senhora recatada que se descobre amante de swing e de uma desbocada e sensual atendente de farmácia. Para quem não se importar com as fragilidades técnicas da fita, dá para divertir.

Blog EntryMar 5, '11 10:03 PM
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Minha voz, aguda, não dói em seus ouvidos.
Que, de ouvir-me falar, não estás cansada.
E me olhas com este olhar assim, perdida
em sonhos de doce namorada.

Também eu te escuto, embevecido.
Que uma noite apenas não é nada.
E porque disto depende a minha vida,
perco-me nos teus olhos de amada.

Por ti, caminho inconsequente.
Por ti, navego quando, sem ti, é madrugada.
Por ti, invento brumas de entendido.

Por mim, te vestes como presente.
Por mim, te revelas interessada.
Por mim passeias enquanto de mim me olvido.

[Eduardo de Carvalho Viana, 25/12/2010]

ReviewReviewJan 13, '11 4:39 PM
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Category:Movies
Genre: Comedy
"Desenrola" (Brasil, 2010) é um filme maneiro. (Ainda se usa esta gíria?) Eu não diria que é irado ou sinistro. É só maneiro mesmo. No sentido de bacana, legal, divertido. Se você tem entre 13 e 18 anos de idade, talvez role uma identificação. Se você tem mais de trinta, é possível que sofra um certo choque de gerações. Mas isto também é legal.

Rosane Svartman conversou com os adolescentes antes de construir o filme. A diretora queria contar uma história que fizesse sentido para eles, com a qual pudessem se identificar. Não sei se conseguiu, mas, pelas risadas da plateia e por suas caras ao saí­rem da sala, parece que sim. Eu mesmo ri gostosamente, lembrei da minha adolescência e deixei a projeção mais feliz. "Desenrola" é despretensioso e honesto. Às vezes é justamente desta leveza que precisamos em um filme.

A história é centrada em Priscila (Olívia Torres), uma adolescente de 16 anos, apaixonada por Rafa (Kayky Brito), um menino mais velho. A mãe da personagem (Claudia Ohana) viaja a trabalho e a menina acredita que aquela é sua chance de conquistar seu amado. E também de perder a virgindade. Na escola, ninguém tem coragem de se assumir como virgem. (Na minha época - oh, tristeza - muitas meninas tinham orgulho de se assumir como tal.) Enquanto Priscila dá em cima de Rafa, Boca (Lucas Salles), um colega de turma, tenta conquistá-la. A história é clássica, todo o mundo já passou por isso, e quem não passou, ainda vai passar.

Hormônios em ebulição, a galera aprontando, um pouco de romance, uma pitada de drama e muito bom humor. Sexo tratado com bom gosto e uma trilha que casa com o clima do filme à perfeição. Ingredientes para um filme maneiro.

ReviewReviewJan 3, '11 9:52 PM
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Category:Books
Genre: Literature & Fiction
Author:Muriel Barbery
Os moradores da Rue de Grenelle número 7, no 6e arrondissement de Paris, são ricos. São também burros e mesquinhos, na visão das narradoras da história: Renée e Paloma. Renée, 54 anos, é a zeladora do prédio. Paloma, 12, mora no quinto andar com os pais e a irmã mais velha. As duas personagens têm em comum certa misantropia decorrente do fato de se julgarem melhores que o resto da humanidade (em especial, os moradores do edifício na Rue de Grenelle 7).

Este mau-humor irascível e pedante torna os primeiros capítulos de “A Elegância do Ouriço” ("L' Elégance du Hérisson") um tanto chatos. E é difícil não imaginar que o romance serviu de veículo para que a autora, Muriel Barbery, expusesse seu próprio pedantismo, com “aulas” de filosofia, artes e gramática. Ironicamente, o objetivo era ridicularizar a alta sociedade parisiense.

Do meio até o final, o livro melhora. Com a entrada em cena de um novo personagem, o japonês Kakuro Ozu, as protagonistas passam a enxergar o mundo com um pouco mais de otimismo. As reflexões tornam-se menos cáusticas e menos caricatas. O novo morador do quarto andar traz mais emoção e movimento ao enredo.

Mas Barbery optou por um final moralista, que se resume mais ou menos a isto: a vida tem seus percalços, porém precisamos olhar para os momentos em que a existência consegue ser encantadora, para o belo, para a Arte, para o musgo do templo e para as camélias do jardim.

Na minha opinião, portanto, a autora fez escolhas fáceis: ridicularizar os ricos e passar uma “mensagem bonita”, redentora, ao final. Em que pesem a graça de algumas reflexões e o estilo de narração em duas vozes – o que não é novo, mas tem seu charme – “A Elegância do Ouriço” é uma obra bem mais ou menos. Serve como leitura de aeroporto.

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BARBERY, Muriel. A Elegância do Ouriço. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. Tradução de Rosa Freire d'Aguiar. ISBN: 9788535911770.

ReviewReviewReviewReviewSep 22, '10 11:49 PM
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Category:Movies
Genre: Drama
Acabou de ser lançado em DVD um dos melhores filmes de 2009: "A Fita Branca" ("Das Weisse Band", França/Alemanha, 2009), ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes. Uma série de estranhos incidentes começam a acontecer em um pacato vilarejo alemão, às vésperas da Primeira Guerra Mundial. A princípio, parecem acidentes sem nenhuma conexão entre si, mas, com o tempo, vão tomando ares de vingança ou punição.

Michael Haneke, diretor dos ótimos "A Professora de Piano" ("La Pianiste", França, 2001) e "Caché" ("Caché", Alemanha/Áustria/França/Itália, 2005) retorna à sua Alemanha natal em um belo e cruel filme em preto e branco. As cenas violentas não são mostradas, mas apenas sugeridas, trazendo para o cinema uma qualidade característica da literatura: a liberdade para que o leitor/espectador construa suas próprias imagens. A ação muitas vezes está fora do quadro. É como se fôssemos observadores não desejados, que apenas entrevemos ou escutamos atrás da porta.

Christian Friedel, no papel do professor da cidade, e Leonie Benesch, que faz a babá dos filhos do barão (Ulrich Tukur), estão encantadores como o casal de jovens que se conhecem e começam a se cortejar. A delicadeza de Benesch comove.

Blog EntryJun 5, '10 12:10 AM
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Vamos deixar por escrito
o que não conseguimos falar:
que o nosso amor irrestrito
está fora de lugar.

[Eduardo de Carvalho Viana, 07/10/2009]

ReviewMar 27, '10 7:01 PM
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Category:Movies
Genre: Science Fiction & Fantasy
Dizem que o grande lance de "Avatar" é a perícia do diretor, James Cameron, com o cinema 3D. Confesso que não vi nada demais. E, neste caso, reconheço que é um problema todinho meu, uma limitação minha com esta linguagem. Sou da era das duas dimensões, assim como Chaplin era do cinema mudo. Não consegui me adaptar. Achei estranho.

À parte isto, a história me pareceu muito boba, infantil mesmo. Se me dissessem que se tratava de um filme para crianças, pode ser que eu relevasse o maniqueísmo dos personagens e seus perfis psicológicos tão caricatos; pode ser que eu me encantasse com o discurso ecológico de aluno da escola básica; pode ser que eu achasse bonitinho o lance meio "Barbarela" da interação via entrelaçamento de pelos do rabo (ou da orelha, ou sei lá de onde; no planeta de "Avatar", todo o mundo tem uns pelinhos que se entrelaçam com os pelinhos de outros seres). Mas, para ser um filme infantil, teria que baixar a bola da violência.

Enfim, por mais que alguns bobocas vejam em "Avatar" um libelo anti-imperialista, na minha opinião, ele não passa de um filminho de Hollywood sem maiores consequencias e, que, como sempre, trata a plateia como crianças. Vai ver é esta a razão do sucesso: os espectadores estão infantlizados por anos de superficialidades hollywoodianas. Portanto, um filme para crianças grandes, com visual de videogame, tem tudo a ver.

Blog EntryMar 27, '10 6:19 PM
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Escrevi seu nome na areia,
o vento levou.
Marquei seu nome na pedra,
o mar apagou.
Gritei seu nome nos bares
e o tempo acabou.
Lancei seu nome aos ares
e o mundo parou.
                    Meu peito agora é silêncio.

[Eduardo de Carvalho Viana, 18/08/1994]

ReviewReviewReviewJan 23, '10 8:56 PM
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Category:Books
Genre: Business & Investing
Author:Scott Adams
Esqueçam Peter Drucker, Michael Porter ou Alvin Toffler. Scott Adams escreveu o melhor livro que um administrador pode ler. "O Princípio Dilbert" é uma espécie de versão em prosa das famosas tirinhas do "Dilbert", publicadas em vários jornais ao redor do mundo. Em 25 capítulos, o cartunista destrói conceitos e práticas tais como descrição de missão, reengenharia, programa de qualidade, análise de desempenho, downsizing, ISO 9000 e planos de negócios. Qualquer pessoa que tenha trabalhado em uma empresa moderna será capaz de se identificar com algumas situações narradas. Como cúmplice ou, na maior parte das vezes, como vítima.

Tirando alguns exageros cometidos a bem da comicidade, o autor tenta provar que as empresas em geral gastam mais tempo com questões acessórias do que com o fundamental: produzir bons produtos (ou serviços) com eficácia. Ao expor o ridículo de algumas práticas tais como a produção de mais relatórios e a participação em mais reuniões para justificar atrasos em projetos, Scott Adams dá uma contribuição muito mais significativa aos administradores do que poderia se esperar de um cartunista. Sua conclusão é singela, mas verdadeira: "empresas com funcionários eficazes e bons produtos em geral têm sucesso", portanto "mantenha o seu pessoal animado, feliz e eficiente. Estabeleça um alvo, depois saia do caminho. Deixe a arte acontecer." As frases são óbvias e o autor sabe disso, mas mostra, ao longo de "O Princípio Dilbert", como os administradores costumam se esquecer do óbvio.

Adams não tira suas conclusões do nada. Formado em economia, ele fez MBA na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e trabalhou como analista de sistemas no Crocker Nacional Bank (comprado pelo Wells Fargo em 1986) e na empresa de telecomunicações Pacific Bell. Anos confinado em uma baia, convivendo com engenheiros nerds e gerentes limitados deram-lhe material suficiente para o livro. Uma série de mensagens dos leitores de seus quadrinhos ilustram seus argumentos com exemplos reais.

Engraçadíssima para a maior parte dos mortais, a obra pode ser constrangedora para todos aqueles que acreditam ser mais importante descrever processos e controlar o tempo de cada tarefa do que executar o trabalho de fato.

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ADAMS, Scott. O Princípio Dilbert. Rio de Janeiro: Ediouro, 1997. Tradução de Talita M. Rodrigues (texto) e Intercontinental Press (tiras). ISBN: 0-88730-787-6.

Blog EntryDec 30, '09 8:57 PM
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Eu canto as folhas neste chão caídas.
As folhas deste frio outono longe de casa.
Belas, assim dormidas, sonham com asas.

[Eduardo de Carvalho Viana, 26/06/2009]



(foto: Diogo Cadaval)


ReviewReviewReviewAug 3, '09 10:01 PM
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Category:Books
Genre: Literature & Fiction
Author:André Giusti
O jornalista André Giusti chega a seu terceiro livro de contos acelerando um Puma GTS amarelo, com o vento batendo-lhe no rosto, e a certeza de que sabe qual é o seu caminho. Não está nem aí para as peripécias verbais de alguns autores da nova geração. Não faz proselitismo social. Não rende tributo a escritores consagrados. Narra tão somente histórias com as quais qualquer um de nós pode se identificar. E faz isso muito bem. É uma grande vantagem.

Os contos de "A Liberdade é Amarela e Conversível" são diretos e límpidos, como se espera de um bom jornalista. O autor não faz firula: constrói seus textos em uma forma de narrativa clássica sólida; leva o leitor pela mão para que, sem entender bem como ou por quê, este sinta as angústias dos personagens.

Aliás, ao contrário do que ocorria nos dois livros anteriores, neste não há muito espaço para alegrias. São quase sempre pequenas histórias de casamentos desfeitos, solidão e morte. O belíssimo título do primeiro conto – "A minha forma de chorar sua ausência esta noite" – não deixa dúvidas. Ah, mas só lendo para entender por que este título é belo e não o prenúncio de uma poesia brega-romântica. O Puma amarelo e conversível que traduz a liberdade representa também nostalgia e incompreensão.

André deixou o Puma em Brasília e veio ao Rio de Janeiro, sua cidade natal, cuja atmosfera está presente em muito da sua obra, para uma noite de autógrafos. Quinta-feira, dia 6 de agosto, a partir das 19h, no bar Belmonte do Jardim Botânico (Rua Jardim Botânico, 617). É uma boa oportunidade para conhecer o livro e o autor (e, de quebra, tomar um chope).

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GIUSTI, André. A Liberdade é Amarela e Conversível. Rio de Janeiro: 7Letras, 2009. ISBN: 978-85-7577-581-3.


ReviewReviewOct 6, '08 12:07 AM
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Category:Movies
Genre: Action & Adventure
O senso crítico dos críticos de cinema dos grandes jornais e revistas brasileiros já foi melhor. Não sei por que ainda me deixo enganar. Felizmente, não vi Homem de Ferro no cinema. Iria irritar-me como irritei-me com o Homem Aranha e o Super-Homem. (Dito assim, fica até engraçado. Parece que estou fazendo campanha contra a certinha Liga da Justiça e os complexados heróis Marvel.)

Filmes de heróis... Disseram que o Homem de Ferro do filme tinha mais densidade que seus colegas da superficção. Acho que eu prefiro o penúltimo Batman. Que Robert Downey Jr. emprestava mais profundidade ao personagem que seus companheiros de tela grande. Ele é melhor do que a maioria, mas meu preferido ainda é Ian McKellen, do X-Men. Mas, no fim das contas, filmes de heróis são todos iguais: tem o mocinho, tem o bandido, geralmente tem uma mocinha apaixonada pelo mocinho (o herói ou sua versão sem fantasia); muitas vezes tem um projeto científico ou militar maluco, ou tem um bandido maluco, ou as duas coisas, ou as três; o bandido faz graça com civis inocentes, o mocinho se esforça para salvar os inocentes civis, com grandes prejuízos para sua própria integridade física; o mocinho quase morre, mas o bandido perde a parada no final.

O que há de novo em Homem de Ferro? Tem o mocinho, a mocinha, o bandido (meio perturbado), os civis inocentes; tem milico na parada; o mocinho quase morre, mas acaba com o bandido no final. Pensando bem, não há nada de novo. Hmmmm, por que os críticos gostaram? Sei lá, porque são fãs de quadrinho, porque a crítica está infantilizada, porque acham que têm que agradar ao grande público. Ou tudo isso junto.

Como filme de super-herói, Homem de Ferro é legalzinho. Melhor que o primeiro Hulk (não vi o segundo), que Super-Homem ou que (arg!) o Quarteto Fantástico (nem me arrisco a ver o segundo). Mas é só isso mesmo: um filme de super-herói legalzinho. Querem um filme decente sobre um vendedor de armas com complexo de culpa (acho que é isso que os críticos gostam em Homem de Ferro)? Vejam O Senhor das Armas. É muito melhor. Deixem a lataria para as crianças.

Blog EntryAug 10, '08 8:22 PM
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1.                 Se eu levasse um tiro no peito no meio da rua, gostaria de estar de braços abertos e sorrindo. Não em transe como o deus/diabo Corisco ao enfrentar o diabo/deus Antônio das Mortes, “Matador de Cangaceiros”. Braços abertos como quem quer abraçar o mundo na figura do meu assassino.

2.                 Minha felicidade/tristeza é inegavelmente grande; como meu ódio/ternura. O que mais me incomoda é a saudade e não o futuro.

3.                 A porta da minha casa está aberta para quem quiser entrar, só falta eu habitar em mim.

4.                 Mês de setembro faço um ano.

5.                 Sentimentos não são palpáveis. Coisas são somente coisas.

6.                 Palavra inédita é pensamento/sensação que não cabe nela.

7.                 Se eu fugisse daqui, estaria fugindo de mim?

8.                 Se eu me encontrar, estarei fugindo daqui?

9.                 Qual a distância que nos separa? Pensamento? Ação? Quantos quilômetros são?

10.             Às vezes amo o mundo e as pessoas com uma intensidade que ele e elas nunca poderão me amar. E odeio também, às vezes; mas geralmente o mundo e nunca as pessoas.

11.             Mulheres nunca passam. Amigos também não.

12.             Meninas/mulheres às vezes aquecem minha libido de uma maneira quase inexplicável. Amo-as profundamente e tenho vontade de transar com elas de um modo intenso, embora breve; quase selvagem, embora poético, pois pleno de carinho. Às vezes elas me dão apenas uma ternura profunda. Raras vezes sinto desprezo pelo sexo oposto (que só nestas horas deveria se chamar “oposto” e geralmente deveria receber a alcunha de “complementar”).

13.             Em maio faço 27 anos.

14.             Queria tanto que você estivesse aqui… E também quero estar sozinho.

15.             Queria beber alguma coisa que realmente me trouxesse paz sem ser veneno.

16.             Se eu levasse um tiro no peito às quatro horas da tarde, quantas pessoas parariam para ver meu sangue jorrar? Quando (e quantas) saberiam de mim? E por que o mundo não pararia?

 

[Eduardo de Carvalho Viana, 16/03/1999]


ReviewReviewReviewReviewJul 1, '08 11:39 AM
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Category:Books
Genre: Literature & Fiction
Author:Lionel Shriver
Surpreendente, espantoso, assustador, incômodo. São quatro adjetivos que explicam a sensação que se tem ao se terminar a leitura de "Precisamos falar sobre o Kevin" ("We Need to Talk About Kevin"). O romance trata de um tema que já se tornou comum no teatro de horrores da cultura americana: o assassinato em massa em uma escola de ensino secundário.

Kevin é o "monstro" em questão. A história é contada por sua mãe, Eva Khatchadourian, em uma série de cartas ao marido, Franklin. Em cinco meses de correspondência, Eva narra os acontecimentos desde antes do nascimento de Kevin até a tenebrosa quinta-feira em que ele mata alguns colegas a sangue frio e as conseqüências posteriores.

Ao longo das cartas, Eva põe a nu algumas esquisitices do "american way of life" e revela seu desconforto com o país em que vive. Mas ela não procura justificar a atitude do filho – nem, por conseguinte, a moda belicosa entre adolescentes estadunidenses – apelando para essas esquisitices. Eva não é Michael Moore: não tem uma explicação, não culpa nada nem ninguém especificamente e não faz fanfarra.

Sua sanha missivista para um ex-marido que nunca responde é, acima de tudo, a viagem interior de uma mãe desesperada à procura de respostas para as atitudes do filho e para suas próprias. Por trás da história particular, estão dilemas universais (e também, no caso, dilemas tipicamente americanos): complexo de Édipo, paranóias do politicamente correto, incompreensão, egoísmo, vaidade etc.

A opção por um romance epistolar não foi aleatória. Lionel Shriver, a autora do livro, sabia muito bem o que estava fazendo. A série de cartas dá o tom exato de intimidade, angústia e inconformismo necessário para que o leitor identifique-se com a mãe de Kevin e condoa-se dela. Mais do que isso, a estrutura narrativa escolhida é fundamental para que o final da história faça sentido e surpreenda.

Em alguns momentos, pode parecer que o livro perde o ritmo. Mas é só no penúltimo capítulo (recomenda-se não ceder à tentação de lê-lo antes da hora) que se percebe fazer sentido o que antes parecia excesso. Não há exageros na narrativa de Eva Khatchadorian: todo aquele percurso é necessário para que a personagem possa percorrer seu calvário e para que a autora conduza o leitor com calma onde deseja; desviando, com esperteza, o clímax da cena do morticínio na escola.

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SHRIVER, Lionel. Precisamos falar sobre o Kevin. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2007. Tradução de Beth Vieira e Vera Ribeiro. ISBN: 978-85-98078-26-7.

Blog EntryJun 22, '08 6:17 PM
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Vida vazia a vagar,
viaja do ventre ao verme,
sem voz, mas voraz,
valente e vitoriosa às vezes.
Vontade de te varar
e não voltar vagabunda
vida vadia a vagar.

[Eduardo de Carvalho Viana, 17/10/1994]

Blog EntryJun 22, '08 6:02 PM
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Em tudo aquilo que vejo,
sempre almejo o seu olhar.
Em cada espaço, o desejo:
sinto seu cheiro no ar.

[Eduardo de Carvalho Viana, 21/08/1997]

Blog EntryJun 22, '08 5:53 PM
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Tudo o que você quiser,
tudo o que você disser,
tudo o que você fizer
eu faço.

Tudo o que você sonhar,
aquilo que você pensar,
qualquer coisa que você achar
eu acho.

A sua casa, onde for, eu vou;
qualquer lugar, onde você estiver, eu estou;
tudo aquilo que você for, eu sou.

[Eduardo de Carvalho Viana, 27/08/1998]

Category:Movies
Genre: Other
Há vários filmes bons em cartaz. Comecemos por este aqui. "Sweeney Todd..." ("Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street", EUA/GB, 2007) é um musical de Stephen Sondheim filmado por Tim Burton. Como sempre, no caso de Tim Burton, de um apuro estético ímpar. Como sempre, um enredo cheio de bizarrices. Como sempre, um ótimo filme.

A história é mais ou menos esta: um barbeiro (Johnny Depp) é preso sem motivos por um juiz inescrupuloso (Alan Rickman) e perde o contato com a mulher e a filha. Anos mais tarde, ao voltar da prisão, reassume sua barbearia pensando em se vingar do tal juiz. Enquanto espera, treina suas navalhadas nas gargantas de outros clientes. Para isto, conta com a ajuda de sua estranha vizinha, a fazedora de tortas Mrs. Lovett (Helena Bonham Carter).

Parece um filme de terror, mas não é. Não há cena que assuste, é tudo feito com ironia, apelando para o absurdo das situações. Depp e Bonham Carter, figurinhas fáceis nos filmes de Tim Burton, "arrebentam". O diretor explora bem os closes em seus rostos expressivos; "careteiros" na medida certa. A direção de arte é primorosa (o Oscar nesta área foi mais que merecido) e as músicas e as letras das canções de Sondheim são excelentes.

Photo AlbumBichos e plantasOct 22, '07 9:35 PM
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Animais e plantas fotografados durante passeios por vários lugares

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